REAGE - Fórum de Resiliência da Água e Gestão de Emergências
A água enquanto pilar de segurança comunitária, o papel do recurso hídrico como infraestrutura vital para o bom funcionamento da sociedade e as interdependências dos serviços essenciais para uma melhor preparação para responder a eventos críticos foram alguns dos temas abordados no primeiro Fórum REAGE – Resiliência da Água e Gestão de Emergências realizado em Setúbal.
Numa organização conjunta dos Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS), SIMARSUL – Saneamento da Península de Setúbal e Câmara Municipal de Setúbal, através do Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros, o encontro decorreu no Cineteatro Charlot, em Setúbal, no dia 18 de junho de 2026.
A vice-presidente da Câmara Municipal de Setúbal (CMS), Maria do Carmo Tiago, que presidiu à sessão de abertura, destacou a atualidade e relevância do encontro para o município e para o país.
“Importa que todos tenham consciência
de que é preciso resolver questões que a todos afetam”
“Importa que todos tenham consciência de que é preciso resolver questões que a todos afetam”, afirmou a autarca, sublinhando igualmente o contributo do fórum para uma tomada de decisões mais informada e fundamentada.
“Pessoas conhecedoras destas questões irão fazer um trabalho profícuo, o qual ajudará a todos nas decisões a tomar no presente e no futuro”, acrescentou Maria do Carmo Tiago.
Durante a manhã, realizaram-se dois painéis de debate. No primeiro subordinado ao tema “Água como infraestrutura critica: gerir o risco”, o Presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil evidenciou a bacia de retenção do Parque Urbano da Várzea como exemplo de solução baseada na natureza. “Temos um exemplo interessante em Setúbal que é a bacia de retenção que foi aqui construída. É um exemplo de como, a partir da Natureza, podemos encontrar uma forma de contrapor os riscos inerentes e decorrentes dos eventos climáticos”, explicou Duarte Nuno Caldeira.
“Temos um exemplo interessante em Setúbal
que é a bacia de retenção que foi aqui construída. É um exemplo de como, a partir da Natureza, podemos encontrar uma forma de contrapor os riscos inerentes e decorrentes dos eventos climáticos”
Ainda no primeiro painel, António Jorge Monteiro, da The Equator Company e do Instituto Superior Técnico (IST), apontou a fragilidade de os sistemas de abastecimento de água e de saneamento estarem exclusivamente dependentes de energia, dando como exemplo o apagão de abril do ano passado, e salientou que a utilização da água em situação de crise tem de constar em protocolos claros de atuação para eventos de duração indeterminada. “Estamos menos preparados do que outros países, temos de definir níveis de redundância e encontrar meios alternativos de abastecimento para responder a estes eventos perigosos.”
“Estamos menos preparados do que outros países,
temos de definir níveis de redundância e encontrar meios alternativos de abastecimento para responder a estes eventos perigosos.”
No segundo painel “Coordenar e proteger para a emergência”, foram partilhadas lições positivas aprendidas durante eventos extremos nas regiões do Porto, Algarve e Lisboa. As Águas e Energia do Porto apresentaram o Plano de Continuidade de Negócio que destaca a preparação das entidades que prestam serviços básicos. Mas além da relevância das redundâncias – com recurso a geradores de emergência, rádios e reservas de combustível – “o mais importante são as pessoas, que sabem fazer bem quando tudo falha”, afirmou Joana Araújo. Por outro lado, Alexandra Cristóvão, da EPAL – Empresa Portuguesa das Águas Livres, salientou os elevados níveis de interdependência entre as entidades e a capacidade de comunicação rápida entre os decisores nestas situações, recorrendo ao exemplo de comboio de tempestades que assolou Portugal em janeiro.
“o mais importante são as pessoas, que sabem fazer bem quando tudo falha”
Na parte da tarde, foi realizado um exercício interativo, moderado pela ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida, em que se debateu com a plateia as interdependências e a articulação entre sistemas. “Estamos preparados? Quão preparados estamos?” foi o mote lançado por Orlando Paraíba e que suscitou o envolvimento de todos os participantes sobre a prevenção, a preparação e a resposta a eventos críticos.
Os resultados obtidos neste momento participativo serviram de base de reflexão para a mesa-redonda onde se apresentaram conclusões e recomendações. “As interligações e as redundâncias fazem todo o sentido na perspetiva da resiliência, mesmo que se abdique da eficiência”, comentou Ana Marques. A Diretora do Departamento de Exploração dos Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS) evidenciou a necessidade de fomentar a confiança e a partilha de informação entre as entidades e concluiu “As infraestruturas [de água e saneamento] não operam bem em situação normal, como seria em contexto de crise?”
“As interligações e as redundâncias fazem todo o sentido na perspetiva da resiliência, mesmo que se abdique da eficiência”
Na sessão de encerramento, o Presidente Executivo do Concelho de Administração da Simarsul, José Eduardo Fialho, lançou o desafio “como desenvolvemos uma resposta factual e transpomos para o país?” A concluir os trabalhos, o Administrador dos SMS, José Alexandre, destacou que “a prioridade estratégica é a proteção da população e dos territórios.” E rematou “estamos todos empenhados em construir sistemas [de água e saneamento] mais resilientes e mais bem preparados para o futuro”.
“a prioridade estratégica é a proteção da população e dos territórios.”
Nesta iniciativa que reuniu especialistas nacionais para debater a preparação e resiliência dos sistemas hídricos face e fenómenos extremos (precipitação intensa, seca, sismos, falhas energéticas, interrupções nas comunicações e ciberataques), estiveram presentes cerca de 150 participantes, incluindo operadores do setor, autoridades de proteção civil e investigadores científicos, que representaram mais de 40 entidades.
Organizadores: Serviços Municipalizados de Setúbal (SMS), SIMARSUL, Saneamento da Península de Setúbal e Câmara Municipal de Setúbal, através do Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros
Local: Cineteatro Charlot, Setúbal
Data: 18.06.2026
Enquadramento
A intensificação de eventos extremos, como episódios de precipitação intensa, seca, falhas energéticas e interrupções nas comunicações, torna a resiliência das infraestruturas de abastecimento de água e saneamento uma prioridade estratégica no domínio da proteção civil. Em Portugal, a estratégia para o ciclo urbano da água foi atualizada com o PENSAARP 2030, que integra abastecimento, águas residuais e águas pluviais e estabelece objetivos e medidas para a sustentabilidade do setor e a adaptação às alterações climáticas até 2030.
Propósito
Criar um espaço de reflexão técnica e operacional a partir de casos reais, promovendo partilha entre operadores, proteção civil e investigação, para melhorar a prevenção, a preparação e a resposta a eventos críticos.
Objetivos
- Diagnosticar fragilidades e pontos únicos de falha no abastecimento, saneamento e drenagem pluvial;
- Partilhar soluções testadas no terreno (monitorização, redundâncias, medidas estruturais e soluções baseadas na natureza);
- Criar modelos de articulação entre entidades gestoras e proteção civil, no âmbito dos planos de contingência e continuidade;
- Mapear recomendações alinhadas com o PENSAARP 2030 (redução de perdas, gestão de águas pluviais, resiliência, digitalização e monitorização, economia circular e aproveitamento de água para reutilização).
Programa
08:45 – 09:30: Acreditação
09:30 – 09:45: Sessão de abertura
Maria das Dores Meira, Presidente da Câmara Municipal de Setúbal e do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Setúbal
09:45 – 11:05: Painel 1 – Água como Infraestrutura Critica: Gerir o Risco
Moderador: Catarina Paz, Instituto Politécnico de Setúbal
- Duarte Nuno Caldeira, CEIPC – Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil – Infraestruturas de água: um dos pilares do sistema de proteção civil
- Maria Adriana Cardoso, Laboratório Nacional de Engenharia Civil – Resiliência Climática no ciclo urbano da água. Importância de uma abordagem integrada do diagnóstico à ação
- António Jorge Monteiro, The Equator Company e Instituto Superior Técnico – Resiliência da Água: Lições Recentes e Prioridades de Ação
- Questões
11:05 – 11:35: Intervalo para café
11:35 – 13:00: Painel 2 – Coordenar e proteger para a emergência
Moderador: Eng.º Mineiro Aires, Administrador Executivo da Fundação da Construção
- Joana Araújo, Águas e Energia do Porto – Da Reação à Continuidade: o Plano de Continuidade de Negócio da Águas e Energia do Porto
- Helena Lucas, Águas do Algarve – Escassez hídrica, resposta e resiliência no sistema de abastecimento de água do Algarve
- Alexandra Cristóvão, EPAL – Empresa Portuguesa das Águas Livres – Interdependências e gestão de crises no sector da água
- Questões
13:00 – 14:30: Almoço livre
14:30 – 15:00: Exercício interativo – Barómetro da Resiliência: Até que ponto estamos preparados?
Dinamizador: Orlando Paraíba e Isabel Rodriguez, ENA – Agência de Energia e Ambiente da Arrábida
- Sessão participativa que criará um espaço de reflexão técnica e operacional, em que os participantes analisarão um cenário de catástrofe para identificar infraestruturas críticas e as respetivas interdependências, promovendo o debate sobre a prevenção, a preparação e a resposta a eventos críticos. Os resultados agregados, incluindo os do inquérito sobre o nível de preparação realizado durante a manhã, serão divulgados e servirão de base à reflexão final.
15:00 – 15:50: Mesa Redonda – Discussão final: conclusões, recomendações e prioridades de ação
Moderador: Dalila Antunes, The Equator Company
- Luís Simas, ERSAR e Comissão de Planeamento de Emergência da Água e Resíduos do Sistema Nacional de Planeamento Civil de Emergência
- Ricardo Luís, Serviço Municipal de Proteção Civil e Bombeiros da Câmara Municipal de Setúbal
- Ana Marques, Serviços Municipalizados de Setúbal
- Questões e debate com a sala
15:50 – 16:10: Sessão de Encerramento
José Eduardo Fialho, Presidente Executivo do Conselho de Administração da SIMARSUL
José Alexandre, Administrador dos Serviços Municipalizados de Setúbal
16:10: Moscatel de honra
Inscrição
Inscrições gratuitas, mediante preenchimento do formulário de inscrição até ao dia 12 de junho.